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20 de agosto de 2010

Step by Step

Então um dia o lado viajante independente aflora. As experiências de outras intrépidas estimulam. As férias estão marcadas  - e nesse ínterim o lado aventureiro grita como os orcs do Tolkien antes das batalhas. E aí? Isso acontece a todas as mulheres que têm desejos por viajar. O que vai diferenciar as que irão apenas sonhar daquelas que realmente colocarão a mochila nas costas são “passos” muito sutis. 

Antes que o afã aventureiro evapore, a primeira coisa a se fazer é: estar apta a viajar! Aquelas que preferem o “overseas” a primeira, e imprescindível, ação é tirar o passaporte. Quando a coragem é oscilante, a melhor maneira é já se sentir viajando. Já para as que querem seguir Brasil afora, a viagem tem um passo a menos, o que é mais um propulsor.

Com o passaporte nas mãos começa o planejamento: você pode até adiar, mas a sensação de ter começado tem grandes chances ser um diferencial na hora de decidir seguir adiante.

A Letícia Capucci, uma grande amiga, vai bater asinhas em breve pela primeira vez no exterior. Quando me ligou pedindo ajuda de roteiro e afins, a resposta foi lacônica: primeiro você providencia o passaporte e depois começamos a conversar! Então antes mesmo de saber quais lugares visitar, quanto de dinheiro  levar quantos dias quer ficar em cada cidade, decidir sobre hotel ou albergue, buscar o melhor passe e afins, a primeira coisa é: entrar no site da Polícia Federal, preencher o requerimento, pagá-lo, tirar o passaporte e aí sim, a viagem começa!

Para aquelas que optam por uma viagem nacional, esse é um “problema” a menos. Ou até mesmo para as que desejam seguir rumo aos hermanos argentinos, uruguaios e chilenos. Embora, eu ainda prefira entrar nesses países com o passaporte como documento oficial. Claro que em parte tenho aquele lado “colecionador de carimbo”, mas é, principalmente, para estar limitada usando apenas a identidade brasileira. Numa viagem tudo são possibilidades: imagine que você está no norte do Chile (no qual você entrou com sua identidade) e de repente aparece uma chance ótima de estender a viagem ao Peru? Vai ficar na vontade: o Peru não faz parte do Mercosul, embora esteja ali coladinho no Chile você não poderá atravessar a fronteira.

Limitar-se por quê? Então, em próximos posts vou tentar ajudar com os passos do planejamento e até dos mitos acerca das “mulheres que viajam sozinhas” – cada coisa que eu leio e escuto que são risíveis (para não dizer imbecis!).

25 de maio de 2010

Sozinha, eu?

Nunca viajamos sozinhas. Cada uma das coisas que levamos numa viagem aciona depois um arsenal de boas histórias: as malas, o mp3, aquela mochila velha e, por que não, uma câmera muito antiga, descascada, pesada e grossa? E foi quando a minha digital parou de funcionar na que seria a primeira foto de uma viagem a Trindade, há poucos dias, que me dei conta: nunca viajei só! Talvez eu precise de terapia por ver numa mochila velha e que precisa de remendos uma companhia. Conheço até quem só acampe na mesma barraca há anos. A companhia não está no objeto, mas no repertório que traçamos com eles.

Acredito que não viajamos sozinhas justamente porque estamos em nossa própria companhia. Tem quem diga, num julgamento muito superficial, que quem viaja sozinha está tentando se encontrar. Confesso que nunca me perdi antes de viajar. A viagem sozinha não é só um momento de liberdade total, mas de autoconhecimento e, porque não dizer, de aprender a conviver com nossos próprios defeitos. Mas vejo também como superação de certos limites que nos impomos no dia-a-dia. Vejamos: quantas vezes você jantou num restaurante simplesmente porque estava com vontade, mesmo que não houvesse ninguém para compartilhar a mesa?

Entre as desvantagens de uma viagem “by yourself” apontadas em vários blogs e sites está quase como unanimidade: jantar sozinha. E continua a pergunta: já jantou sozinha num restaurante? Não estou falando de refeição em self-service. Mas daquele dia especial em que seus amigos estavam ocupados, o namorado/marido/namorido tinha um compromisso, ou então você é solteira e queria jantar num restaurante badaladíssimo?

Pois saiba: é bem provável que numa viagem independente você sequer questione a possibilidade e esqueça que as “pessoas irão olhar”, que “irão sentir pena” e vão achar que “te deram o bolo”. Isso é uma grande bobagem. Sente e jante. E curta muito.

Foi numa dessas “contravenções” sociais que me presenteei numa viagem a Budapeste. Passei por um restaurante que parecia super agradável. Pequeno, aconchegante. E com velas nas mesas. Voltei para o hotel decidida a jantar lá. E foi assim que experimentei a melhor sobremesa da minha vida. Ninguém me olhou como se eu fosse um ET - talvez somente na hora do flash porque, óbvio, registrei esse “momento só meu”.

Arrume suas malas. Separe as músicas que te acompanharão. Desbloqueie o rooming do celular para ligar quando sentir saudade. E viaje. Fácil, não? E se for para a Hungria, Gundel Palacsinta - não deixe de experimentar.

Esse texto é a reprodução da Coluna Batendo-Perna no site Descubra Brasil (07.05.2010)

14 de maio de 2010

Indo às compras na feira!

Viajar barato é tão possível quanto sair às compras numa viagem. Como? As feiras livres são uma das melhores opções de divertimento e compras numa viagem “low cost”. E o Rio de Janeiro tem muitas - impossível enumerar.

Algumas feiras podem ser “hippies chiques”, como a Feira de Ipanema, que acontece todos os domingos na Praça General Osório, de 7h às 19h. Não tem como errar o endereço, já que a praça é também a estação de metrô do bairro.  No entanto é bom lembrar que esse é um dos bairros mais caros da cidade e é ponto de encontro de turistas – combinação quase fatal para alguém comedido. Mas vale a pena conhecer,  mesmo que não vá comprar muita coisa. Há lindas roupas, principalmente de verão, além de todo tipo de bijuterias. Quem quiser biquínis, cangas e acessórios “a la garota de Ipanema” vai se sentir num playground.

Em Copacabana, no vão entre as duas vias da Avenida Atlântica, na altura do Posto 6, todos os finais de semana tem uma feirinha que também vale a pena (e é mais barata que a de Ipanema). Tem menos barracas e é uma boa opção de souvernirs. Não tem as mesmas ótimas opções de vestuário que a de Ipanema, mas vale a conferida. Mesmo porque a paisagem é o que há de melhor.

Mas sempre há opções, que longe do agito “zona sul carioca”. Uma dica para quem estiver no Rio é seguir para a Zona Norte e se aventurar pelo lado pouco turístico da cidade. Não vai ter arrependimento, ao menos no quesito economia. Uma boa feirinha é a de Vicente de Carvalho. Antes que se pergunte que “diabo de lugar é esse”, não tem erro pra chegar. O mesmo metrô que deixa em Ipanema, segue pela Zona Norte. Só descer na Estação de Vicente de Carvalho, seguir pela rampa e pronto.  Lá é possível encontra vestidos que se diferenciam das lojas pela falta de etiquetas por menos da metade do preço. E tem de tudo, inclusive roupas íntimas. A feira acontece às quartas e quintas-feiras à noite.  Não tem o glamour de Ipanema e por isso é tão peculiar para viajantes.

Quem estiver pensando em caminhar pelo Centro terá a disposição vários conglomerados de vendedores. Pode chegar a ter a impressão de que o Rio de Janeiro é uma grande feira. A dica é a feirinha do Castelo, quase em frente à Estação de metrô da Carioca, do outro lado da Av. Rio Branco. Ali, bem no centro econômico carioca às quintas-feiras à tarde tem umas das melhores feiras do Centro.

Muitas feirinhas de roupas e acessórios estão espalhadas pela cidade e impossíveis de consultar no site da Prefeitura. A dica é perguntar mesmo, principalmente para moradores da cidade.  A propósito, se ouvir chamarem as feiras de “feirinha de Itaipava” não se espante. Como Itaipava, na região serrana do Rio, tem uma excelente feira, se tornou sinônimo desse tipo de comércio para alguns “desavisados”.

*Crédito da imagem: www.feriasbrasil.com.br

Esse texto é a reprodução da Coluna Batendo-Perna no site Descubra Brasil (08.04.2010)

9 de maio de 2010

Dormindo com o desconhecido!

Em uma viagem nada é mais imprevisível que as pessoas que conhecemos pelo caminho. Entre os pontos altos de uma viagem sozinha está a possibilidade de novas amizades. Sozinhas, estamos mais abertas ao experimento justamente porque saímos da zona de conforto de um amigo que tira a foto, que divide o encantamento, que conversa quando não há mais nada pra fazer, que divide a conta da pizza e da lavandeira (...). Ou você vai ficar muda a viagem inteira ou definitavamente vai ter que interagir nesses momentos e em outros. Seja deitada numa praia seja numa caminhada, nessas horas de distração é muito provável encontra outros viajantes independentes.

O ponto de maior interação entre viajantes sem dúvida são os hostels. E no começo da aventura, a viajante independente sozinha pode esbarrar num contratempo que descabela a “marinheira de primeira viagem”: acabar num quarto coletivo misto! Sim, isso pode acontecer. E não deve ser motivo para pânico. No Brasil é pouco provável, já que a separação por gênero é práxis. No entanto, impossível não é – e eu sou a prova disso! Passei uns dias em Trindade e por conta de um “probleminha técnico” na reserva acabei dormindo uma noite num quarto coletivo misto, com dois ingleses.

Há aquelas intrépidas viajantes que vão dizer que é tudo igual, que não há nada demais. Há inclusive as que preferem. Uma das argumentações que já ouvi é de que os quartos são mais arrumados porque os “moçoilos” querem impressionar. Outras acham a experiência diferente e o que importa é interagir. E outras acham que há a séria propensão a roncos insuportáveis. É mesmo uma questão de se sentir a vontade. Pode ter dia que você esteja a fim da experiência e em outros dias, a abomine.

Então, para aquelas que planejam se hospedar em quarto feminino, para evitar surpresas desse nível fique atenta à quantidade de camas - geralmente os quartos mistos são aqueles com a maior quantidade. Claro que os sites informam que o quarto é misto, mas para o caso de não informarem, essa é a deixa. O mais comum no Brasil são as separações entre feminino, masculino, privado duplo/casal. Já em países europeus, é bastante comum acrescentar a essas categorias os mistos.

Já se quiser experimentar, a dica é ter o mínimo de bom senso na vestimenta na hora de dormir. De resto, nada muda. Particularmente, se não tenho experiências horrendas tenho ao menos meia dúzia de histórias que vão do bizarro ao hilário. Mas nada que desabone os quartos mistos. A experiência é de cada um mesmo. Então, se acontecer é questão de relaxar. Pedir a troca assim que possível e ainda conseguir um desconto no restante da hospedagem!

*Crédito da foto: www.meininger-hotels.com

*Esse texto é a reprodução da Coluna Batendo-Perna no site Descubra Brasil (23.04.2010)

7 de maio de 2010

A facílima arte de viajar sozinha! Pensando na hospedagem

Embora minha primeira coluna aqui tenha sido de estimulo às mulheres viajarem sozinhas, pouco falei sobre como fazer isso. Um grande equívoco meu achar que não há dicas para se dar a outras intrépidas viajantes. Eu sempre arrumei a mochila e segui. Até que a Sílvia Oliveira do Matraqueando me chamou a atenção de que há muito que se dizer sobre isso. Sim, é verdade! É tão fácil viajar sozinha que até se esquece de que há o que se falar sobre isso.

Qualquer planejamento de uma viagem começa com a busca por hospedagem. É nessa hora de decisão que a precaução com a viagem deve aparecer. Na busca pela hospedagem você muito econômica acha uma barbada na internet. Ótimo! Mas o que importa numa viagem sozinha é principalmente a localização. Alguns sites de reservas contam com notas dos viajantes sobre os hotéis/pousadas/hostels/albergues disponíveis. Mesmo assim, antes de concretizar a reserva, melhor checar em mapas virtuais, em blogs e fóruns se a localização é realmente boa. Há, inclusive, sites com essa proposta de dar notas a hospedagens mundo a fora. Vale conferir no TripAdivisor. Mas há outros.

E como detectar uma boa localização? Fácil. Pegue um guia de viagem. Em qualquer canto do planeta as áreas com pontos turísticos são as mais valorizadas, o que inclui serem as mais seguras e também com os melhores acessos a transportes. Por esses pontos, fica fácil saber se a hospedagem vale ou não a pena, ao menos nesse quesito. É comum encontrar pousadas em bairros residenciais. Nada contra. No entanto, as ruas são mais desertas, não costumam ter bares e restaurantes e, embora sejam bairros de casas e apartamentos lindos, não sobra nada a fazer caso resolva não dormir. Mas há viajantes que optam por esses locais por causa da tranqüilidade. Questão de gosto mesmo. Eu particularmente acredito que onde mais movimentado melhor.

Estar atenta é uma dica quase unânime em colunas, blogs, sites e fóruns de discussão sobre o tema. Mas estar atenta não vale somente para viajar sozinha, mas para qualquer momento. Simples assim. A primeira grande lição de alguém que viaja sozinho (e nisso, independe a questão do gênero) é ter precaução sem que isso se transforme em pânico. Não se trata de colocar uma armadura e um elmo e encarar a viagem como um mero deslocamento - ou corre-se o risco desnecessário de ver tudo e todos como ameaças latentes. Não encare a viagem sozinha como uma cruzada.

Viajar é interagir, é sorrir, é testar o idioma local. É conversar sem timidez, é se apaixonar por pessoas, por lugares e até mesmo por um rio, como é meu caso com o Vlatva na República Tcheca. Em uma viagem sozinha o que mais se vai dizer (e ouvir) são: “ois” e “tchaus”. É quase um treinamento ao desapego, à arte do encontro e do desencontro. O apego fica por conta das lembranças, que garanto, serão muitas.

*Foto retirada do site http://www.nickmartins.com.br/

*Esse texto é a reprodução da Coluna Batendo-Perna no site Descubra Brasil (07.05.2010)

2 de maio de 2010

Entre a vila de pescadores e o paraíso hippie

Há tempos não ouvia Raul Seixas, e não havia lugar melhor pra isso do que Trindade. O vilarejo que se metamorfoseia entre uma vila de pescadores e paraíso hippie é tão perto do Rio de Janeiro que chega a ser inacreditável que o local ainda guarde as características de um lugar no meio do nada.

Como chegar: Chegar a Trindade não é fácil. E os abusos das concessões de transporte se tornam evidentes. No meu caso, saí de Volta Redonda por causa de um trabalho (nesse caso, paguei menos e fui pela empresa Colitur). A estrada para quem vai por Volta Redonda é muito ruim. Ônibus sem banheiro. Percurso árduo: Volta Redonda até Perequê. Perequê até Paraty. Paraty até Trindade.


Saindo do Rio de Janeiro, a única empresa que faz o itinerário é a Costa Verde. A passagem é abusiva, considerando a distância. Cerca de R$ 55 até Paraty.
De Paraty pode-se pegar vans ou ônibus, no valor de R$ 3 e seguir até Trindade. O vilarejo tem uma estrada pouco segura, confesso, e ir até lá por meio de transporte coletivo só mesmo pelos regulares da prefeitura - os únicos permitidos.

Onde se hospedar: Há várias pousadas e alguns albergues. Nada de resorts, o que para mim é um dos maiores atrativos de Trindade. Nada contra luxuosos espaços, mas não combina com a simplicidade do vilarejo. O Hostel World tinha poucas opções. Procurei também no Hoteis.com. O melhor é procurar no Google mesmo, embora eu tenha encontrado poucos blogs com dicas de hospedagem. Minhas duas referências em Trindade. Pousada Beija-Flor e Kaissara Hostel.

O que levar:

1- Dinheiro - Trindade é um local mesmo de descanso e prática de surf. Não há bancos e algumas pousadas não aceitam cartões de crédito ou de débito. Há uma venda chama de Mercado Central, que mais se parece com aquelas mercearias de novelas antigas. Se procurar algo que não haja ali, provavelmente não vai encontrar em canto algum. Até mesmo para encontrar restaurantes que aceitem cartões é preciso paciência. Logo, melhor levar dinheiro para lá - coisa que não fiz!
2- Repelente. Comprando um lá spray custou cerca de R$ 9.
3 - Lanterna. Agora já há alguns postes nas ruas com iluminação pública. Mas para os que queiram ir às praias a noite para lual ou para beber alguma coisa, a escuridão assusta.
4 - Casaquinho. Mesmo no verão, a noite é comum esfriar um pouco.
5 - Em Trindade a roupa clássica é a de praia mesmo. Até para quem espera se aventurar pelas trilhas, elas dão acesso às praias e cachoeiras então não há porque estar vestida de outra maneira. Tênis é praticamente para saídas a noite e assim mesmo se não for a praia. Peso extra na bagagem para uso tão restrito. Melhor mesmo chinelos.

*Crédito da foto: Kaissara Hostel

Aí sim, muito sozinha!

Viajar sozinha não é problema. Isso é até opção algumas vezes.Mas viajar sem câmera (...) foi a minha primeira experiência. E que solidão! Assim que cheguei em Trindade me dei conta de que a digital, comprada há quase cinco anos numa viagem a Portugal, cansou de me acompanhar e depois de anos....parou de funcionar. Simples assim!

E em plena viagem a um local paradisíaco só conto com as lembranças. Um excelente exercício de memorização. E foi assim, eu comigo mesma, que passei os dias mais tranquilos de uma viagem.
Praia, sono, música, cachoeira, trilhas....e sem fotos.

*Crédito da foto: autarquiadigital.com

26 de fevereiro de 2010

Otimizar os gastos para viajar de graça

Vale tudo na hora de tentar uma viagem gratuita. Sim! É possível viajar de graça embora muita gente ainda não acredite. Um amigo de Juiz de Fora sonha em viajar com a namorada, mas ainda associa viagem a "vender a alma às dívidas" - ele não é o único que ainda não descobriu as vantagens dos programas de milhagem. É para o Francisco e esses tantos outros que fica a coluna dessa semana.

Os programas de milhagem buscam a fidelização de clientes por meio de prêmios em milhas, que podem ser conseguidas por trechos aéreos. No caso dos viajantes, a pontuação vai ser creditada conforme o voo e pode ser pedida na hora do check in ou depois da viagem, obedecendo às regras das companhias aéreas. Para quem assistiu ao filme “Up in the Air” com o George Clooney fica fácil saber o que é o programa - mas calma, a história é ficção e bem longe da realidade de quem tem poucos recursos!

Mas e aquele que não é um viajante contumaz e não tem milhas das companhias aéreas? Aí está o “pulo do gato”. Muitas empresas buscam atrair consumidores oferecendo parceria com esses programas.

Uma das opções é se informar sobre o uso do cartão de crédito. Explica-se: um exemplo de empresas que têm parceria com os programas de milhagem são os bancos, que utilizam os cartões de crédito como iscas: o uso do cartão é associado a uma pontuação que pode ser convertida em milhas - ou seja, quanto mais usar o cartão mais vantajoso fica.

É provável que alguns bancos exijam um valor mínimo de pontos antes da primeira transferência para milhas (claro, eles são empresas privadas e visam ao lucro”). Para saber como é feita a pontuação, basta converter o valor da fatura em dólares. Cada dólar equivale a um ponto e cada ponto, uma milha. Muita gente usa cartão de crédito e não se atêm muito aos programas de relacionamento. É possível trocar os pontos por desconto na anuidade, por barracas de camping, e por tantos outros produtos. A conversão em milhas é só uma entre as várias opções.

Para fazer parte de um programa de milhagem basta se cadastrar nos sites das empresas aéreas. A Gol/Varig tem o programa Smiles (que possibilita emitir bilhetes aéreos também para a KLM, America Airlines e Air France). Já pela TAM o cadastro é feito no próprio site da companhia. A regra básica, tanto para quem vai viajar como para quem vai “apelar” para as promoções, é fazer o cadastro antes de pedir crédito das milhas. No caso dos que desejam creditar um voo, o cadastro deve ser feito antes da data de embarque. Nos casos das outras companhias aéreas, a Trip, WebJet e Azul não têm ainda esses programas. No caso da Azul, o programa de vantagens se limita a créditos em voos futuros.

Há até casos de bancos que, para atrair o consumidor, chegam a oferecer milhares de milhas de bônus pelo pedido do cartão! É possível também encontrar promoção de assinatura de revista semanal/mensal e ganhar milhas como prêmios. Para se ter uma idéia do que isso vale: ano passado o Smiles (Gol/Varig) e a Tam tiveram uma promoção que possibilitava viajar por, respectivamente, duas e três mil milhas por trecho no Brasil. Traduzindo: era possível fazer Rio/Recife – Recife/Rio com quatro ou seis mil milhas.

Com o cadastro feito, vale a regra do "se vai gastar, que seja para ganhar algo". Até mesmo empresas virtuais,para incrementar as vendas costumam, às vezes, transformar o valor do pagamento em milhas - sim, isso existe! Então, o jeito é sempre que for comprar algo estar atento a essa possibilidade. E perguntar antes, sempre!

A dica não é para estimular o lado consumista compulsivo de ninguém, mas para mostrar uma boa maneira de transformar gastos em vantagens.

Em tempo: já acumulei boas milhas na base do "melhor otimizar os gastos". Exemplos: já ganhei cinco mil milhas quando pedi um cartão de crédito. Ganhei outras sete mil quando assinei um jornal por 1 ano. E algumas centenas de milhas na compra de um ar condicionado num site de loja de departamento. Além do que converto pelo programa de relacionamento do cartão de crédito e viajando. É um bom exercício de paciência.

*Esse texto é a reprodução da Coluna Batendo-Perna no site Descubra Brasil (19.02.2010)

11 de fevereiro de 2010

Levante do sofá e viaje

Quando uma mulher diz que viaja sozinha, uma série de adjetivos pode surgir sem a menor cerimônia: corajosa, independente, desprendida, solitária (...). Mas o que motiva é mesmo a VONTADE. Vontade de conhecer novos sotaques, novos sabores, novas pessoas e, até mesmo, novos climas. Nem sempre há amigos com férias no mesmo período. Nem sempre há maridos ou namorados dispostos. E então qual a melhor opção para as férias ou para aquele final de semana prolongado? Planeje. Descubra. Divirta-se. Faça novos amigos. E volte cheia de histórias.

Não há idade para a descoberta de experimentar. E se para muitas o idioma pode ser um empecilho, viajar pelo Brasil é ter destinos em português para uma vida toda. Fazemos parte de um país com dimensão de continente. Nossas diferenças regionais são capazes de nos fazer crer que estamos em outro mundo. A culinária é riquíssima. Temos as mais belas praias. E há um diferencial motivador para viagens “domésticas” – não precisamos nos preocupar com as variações do câmbio.

Imagine-se descobrindo uma pequena cidade chamada Coxim no interior do MS, que se autodenomina a capital do peixe e a porta do Pantanal. Agora se coloque num sol escaldante de céu azul, numa estrada de terra, na companhia de araras e tucanos a sua volta em pleno MT, rumo às piscinas naturais de Nobres. Para aquelas mais empolgadas pelo litoral, já pensou em dar uma passada em Trindade, uma cidade de ruas de terra com praias e cachoeiras lindas a poucos minutos de Paraty? Já ouviu falar da praia de Pratigi em Ituberá, na Bahia? Temos, no Brasil, turismo para todos os gostos – só nos falta a neve, que mesmo assim aparece em meio às geadas de lugares como São Leopoldo, no Rio Grande do Sul e São Joaquim, em Santa Catarina.

A melhor notícia para começar essa coluna aqui no Descubra Brasil é que o brasileiro descobriu o próprio potencial turístico. Pelos dados da Infraero, de janeiro a dezembro de 2009 o número de passageiros em voos domésticos foi o maior da história - mais de 56 milhões de desembarques, um aumento de 14% em relação a 2008.

E com tantas opções, desde as promoções ao uso de programa de milhagem, sinceramente, deixar de viajar porque não terá companhia é deixar de acumular boas e, talvez, as melhores lembranças da sua vida!

Deixo para refletir esse trecho do livro “Mar sem fim” do Amyr Klink. "Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é; que nos faz professores e doutores do que não vimos quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver."

*Esse texto é  a reprodução da Coluna Batendo-Perna no site Descubra Brasil (05.02.2010)

24 de julho de 2009

3 dias de sombra e água fresca por cerca de R$ 200

Como a proposta é trocar idéias de viagens baratas, Arraial do Cabo é quase sagrada! Praias maravilhosas, pôr do sol digno de palmas, areia branquinha e tranquilidade - a duas horas e meia do Rio. E isso sem gastar muito. Como Arraial está perto de Cabo Frio, pode ser também uma alternativa para o tumulto da Praia do Forte ou um ótimo "bate e volta".

Costumo relaxar por lá gastando muito pouco. Como? Vai fazendo as contas...
- A empresa 1001 faz o trajeto e tem muitos horários disponíveis. A ida e a volta custam em média uns R$ 50. (e isso pode ser pago com Riocard, para aqueles que moram no Rio). Depois que chegar à rodoviária da cidade, tudo pode ser feito a pé.

- Chegando em Arraial, é fácil arrumar hospedagem. Há pequenas e simples pousadas. Minha dica: Marina dos Anjos - uma pousadinha também albergue. Se tem carteirinha paga menos. O café da manhã é farto e os quartos com ar condicionado. A área comum com livros, guias, filmes. Sem contar a área de fora com uma tenda cheia de almofadas, esteiras e o violão, para quem quiser arriscar uns acordes. De noite, todas as vezes que passei por lá...luais ótimos. As diárias variam conforme a temporada, mas em média R$ 35 o quarto coletivo. Mas há quarto de casal e também espaço para camping.

- Se tiver uma grana extra, vale a pena um passeio de barco. Bebida liberada, passeio pela Gruta Azul, além da Ilha do Farol - presença só permitida por tempo determinado porque é reserva da Marinha. Dependendo da temporada, o preço pode variar muito. Mas uma média de R$ 40. Tive sorte. Quando fiz o passeio pude ver várias tartarugas marinhas.

- Se quiser, há várias empresas que fazem batismo de mergulho. Mas pechinchar é essencial porque há grandes diferenças de uma empresa para outra. Mas é bom se preparar para ficar o dia todo a bordo de um barco porque são muitos "iniciantes" por dia. Até hoje não me aventurei (menos pela grana e mais pelo enjoo de ficar o dia inteiro por conta de um mergulho).

- Ao entardecer, "pernas pra que te quero" ou uma boa carona até o Pontal do Atalaia para ver o pôr do sol. Lindo mesmo. Me desculpe o Arpoador (que também é lindo) mas o de Arraial é insuperável.

- Se quiser descansar, melhor optar pelas praias mais afastadas, como a Prainhas (no plural mesmo) e a Praia do Forno. As que ficam na entrada da cidade além de mais caras, são cheias de turistas (Prainha, Praia dos Anjos...).

- Dependendo da noite que estiver lá, tem uma feirinha de produtos locais na praça da cidade. Na mesma região, pizzarias, sorveterias e um clima de cidade do interior (isso se não for Carnaval).

- E se quiser se aventurar pela noite mais agitada de Cabo Frio, ônibus urbano que deixa tanto próximo à Praia do Forte quanto do outro lado de Cabo Frio, mais próximo da lagoa.

Somando, é possível uma viagem incrível de 3 dias (sexta a domingo) por cerca de R$ 200!!!!
Hospedagem 2 noites: R$ 70
Passagem ida e volta: R$ 50
Comidas, passeio e afins: depende de cada um, mas não fica tão caro!

19 de julho de 2009

Luz...que lá vai ela!

É. A hora da Lúcia Schmidt se aventurar sozinha pela primeira vez tá chegando. Conheço o frio na barriga maravilhoso que ela deve sentir. Sinceramente...esse é o frio na barriga que eu gostaria de sentir constantemente! Dia 25 (ou melhor, amanhã!!!) é o embarque da Lúcia para o Chile. E daqui fico seguríssima de que ela se vira tranquilamente bem por lá!

Como consegui convencê-la a se aventurar em hostels, sei que boas e baratas dicas aparecerão por aqui.

14 de junho de 2009

Começar aos 54 anos é a graça!

E de repente as "meninas" crescem...E não tem pra mim alegria maior do que ver um amiga que se diz "medrosa", que já desistiu de ir a Cuba por falta de companhia, de repente por a prova seus receios e deixar pra lá o inútil estereótipo de resignação da idade. Aí está mais uma prova de que não se trata de coragem, mas de vontade!

E vamos daqui acompanhar as aventuras da Lúcia Schmidt, jornalista e professora que vai ao Chile em julho. De "batedora de perna" ela não tem nada, mas que de estação de metrô ela chega lá...

"Vou fazer minha primeira viagem ao exterior. Sozinha. E começo pelo Chile. Mais precisamente Santiago, fascinação de adolescência e fascinação por Neruda. Ok. Tenho 54 anos e teórica – ou praticamente – já vivi a maior parte da minha vida. Não vou negar que estou mais covarde e mais medrosa, mas também não posso negar que já vivi anos demais sem nenhuma experiência excepcional. E como toda primeira vez, esta não é diferente. Entre e o medo e a alegria, a preparação para a viagem alterna. Pânico de não me fazer entender. E se adoecer?? – Uai, estou mais velha, né? Mas também tem a ansiedade prazerosa. Vou conhecer o famoso Palácio de La Moneda. Vou ver as casas do Neruda – pelo menos duas. Vou ver a Cordilheira. Uau!! E tudo isso, sozinha, sem falar espanhol (não pretendo me atrever no portunhol) e com 54 anos. Depois da decisão tomada e da passagem comprada não tem mais volta. Eu vou. Com medo, acovardada. Mas vou e pretendo viver dias incríveis."

2 de maio de 2009

E as roupas de uma mochileira?

Com que roupas eu vou? Está aí um "pequeno" problema de quem se aventura num mochilão. Mas nada que não seja facilmente contornado. Vendo minhas fotos e conversando com a minha prima, veio o comentário: mas Monica, como você faz com suas roupas? São sempre as mesmas!
Caimos na risada e aí começam as explicações de como fazemos nós, as viajantes que descartam as rodinhas e encaram as mochilas.

Viajar de mochila é saber de antemão que todo o peso estará nas suas costas a cada troca de cidade/país. Com isso, há um peso adequado para cada um. Com cerca de 48 quilos (claro que depois que voltei de viagem esse número mudou consideravelmente!!!) eu me aventurei a levar uns sete quilos. E aí, levamos poucas roupas mesmo. Além do peso nas costas, o problema maior está no susto de pagar extra de bagagem, principalmente para quem for viajar pelas cia low cost. Então, já estava preparada para as quase mesmas roupas. Mas e quando elas sujam?

Muitos países (ao menos os que já estive na Europa) têm lavanderias públicas. Nada tão complicado que não seja possível aprender na hora mesmo seguindo as instruções. No entanto, para quem não se aventura numa ida a rua com as roupas, muitos hotéis e albergues contam com lavanderias. Elas podem funcionar a fichas ou a moedas.

No albergue que fiquei em Florenca (Archi Rossi), por exemplo, havia uma lavanderia no térreo, na qual se pagava 6 euros para lavar e secar e, nesse valor, já incluso o valor do sabão em pó. Em 1h30 aproximadamente, o problema da sujeira está resolvido.

Para as roupas que precisam passar, os hotéis e albergues contam com ferros de passar roupa para serem alugados/emprestados aos hóspedes. No meu caso, não paguei nenhuma das vezes que usei. Claro que nem todas as vezes que as roupas sujam se pode esperar para juntar um número considerável de roupas para compensar a lavanderia. Há duas alternativas e já usei as duas. Uma é dividir a lavagem com alguém do albergue. Eu e a Mariana combinamos a lavagem e foi uma "mão na roda".
A outra opcão, bem menos confortável, é lavar a roupa a mão e colocar para secar como faz grande parte da população brasileira. Em hotéis essa opção é mais complicada, mas num hostel é totalmente viável. E foi assim que fiz em Budapeste porque o hostel (BackPack Guest House) não tinha lavanderia. O site ww.viajenaviagem.com do Ricardo Freire tem um post que explica o passo a passo de como lavar as roupas nas lavanderias públicas.

Eu estou acompanhando o blog da Júlia - http://poisnemcheguei.wordpress.com/ e ela vai viajar de rodinha nos próximos dias. Vamos ver como ela se sai com a mala e aí é possível comparar cada uma. E há também a Cecília que faz uma volta ao mundo http://viajeaqui.abril.com.br/blog/de-mochila.shtml e que está, como diz o blog, de mochila.

No meu caso, já fiz as duas e mesmo que tenha a desvantagem de não poder levar muita coisa e de só poder comprar o que eu quiser no último destino, ainda assim prefiro isso a me matar para carregar a rodinha nas estações de metrô ou afins com escadas!!!!

16 de abril de 2009

Entre uma sopa (?) e a Idade das Trevas

Depois de caminhar muito por Cesky Krumlov, era hora de comer alguma coisa que nao fosse doce - ja que experimentei muita coisa!

Fui a cata de um restaurante barato, mas com comidas bem locais. Encontrei um proximo ao albergue chamado Pod Radonici - mas so parei depois de pesquisar bastante os precos. O restaurante funciona dentro de uma pensao, que fica na rua lateral da praca central de Cesky Krumlov. Bonitnho, com televisao sintonizada em canais de clipes e, o melhor, com cara de taberna.

Peguei o menu e la se vao quartos de hora tentando escolher alguma coisa. Comecei por uma sopa e achei que era melhor nao pedir outra coisa porque estava com fome, mas nao exagerada. Ate que finalmente meu prato chegou...

Sopa? Aquilo era uma agua com pedacinhos de pao boiando. O nome? Staroceska Cesnka - claro colocando acentos em quase todas as consoantes. Em sintese, uma agua feita com alho, pao e queijo. Nao e ruim, mas vamos combinar que e preciso pensar bastante nos pre-conceitos... viajar e estar atento as referencias.

Entao ta. Nao matou minha fome. Na verdade, fez aumentar.

Fui la para o segundo prato. E ai comeca o probleminha. Primeiro como tava demorando pra escolher a moca me avisou que nao podia demorar porque iam fechar dali a pouco. E ela nao falava ingles, entao eu so entendia ela batendo no relogio. Ok. Eu escolho rapido. Comeco a desenhar pra ela que eu queria saber se havia meia porcao dos pratos porque eu tinha visto o prato do casal de asiaticos e aquilo era suficiente para umas 3 pessoas.

Ate ela entender....demorou muito! Muito mesmo.

Ok. Nao fazem. Entao pra nao ficar jogando comida fora e nao ter a mesma surpresa da sopa... Pedi um Fisilli Ve So Etanove, em sintese uma macarrao parufuso com queijo e pedacos de frango. Bom demais!!!!!!!!

Mas como eu disse, antes ela me avisou que tava fechando. Tanto que ela passava pra la e pra ca, limpando as mesas e a essa altura avisando aos casal de asiaticos que era pra fechar a conta, que eu nem lembro direito como eu terminei de comer. Na verdade, me senti numa maratona daquelas estilo filme americano que ganha quem come mais em menos tempo.

Ainda bem que eu nao queria sobremesa. Acho que nao era boa, porque na super mesa de outros MUITOS asiaticos nao tinha um prato de sobremesa que nao tivesse com mais da metade sobrando.

Voltei para o albergue alimentada, mas nao satisfeita porque queria saboreado mais o prato. Mas ta valendo. Demorei mesmo a escolher e Cesky Krumlov e como cidade do interior. Tudo fecha cedo.

E ai... eu pude entender um pouco o que era viver na Idade Media e o sentido de Idade das Trevas. As ruas sao super estreitas, escuras, de pedra e cheia de pequenos becos. A impressao que se tem e de que a qualquer momento alguem vai aparecer. Imagina aquilo no seculo 13? E eu sozinha...

Mas impressionante e que nao estava com um tiquito de medo. Estava na verdade flanando pelas ruas para ter essa sensacao mesmo. TUDO FECHADO, e ainda nao eram nem 22h.

Voltei para o albergue e fiquei conversando com a Oguna - nigeriana que ha 10 anos mora em Londres e da aula para criancas - e com a Korie, japonesa que organiza casamentos. Ambas viajando sozinha. E ai acabou chegando uma americana de uns 55 anos que viajava sozinha na Europa pela primeira vez. Minha noite terminou com risadas... imagina a confusao de 4 mulheres num quarto, cada uma de cultura diferente? Adorei!

12 de abril de 2009

Que noite MAL dormida

Cheguei ao albergue Sir Tobys pregada. Lindo, boa estrutura, embora um tanto afastado do Centro. Ha senhas para entrar no albergue, as portas dos quartos funcionam com cartoes magneticos, o cafe da manha custa cerca de 4 euros e pode-se comer a vontade. Tudo no estilo " faca voce mesmo". Fogoes ultra-modernos para panquecas, ovos mexidos. O albergue e o melhor em estrutura que ja conheci.

E ai...

Procurei uma cama vazia (sem identificacao), coloquei meu nome nela. Tomei banho e quando estava indo dormir chegaram algumas pessoas. Brasileiros. Foi otimo. Falei portugues, me informei sobre a cidade. Ate que a mineira me disse: voce vai ver as criaturas que estao aqui no quarto com a gente. Sao uns holandeses estranhos...

Como eu estava com muitas pessoas no quarto relaxei. Ate que la pelas 4h da manha....

Uns caras chegaram fazendo maior barulhada. Fingi que estava dormindo e ouvi um deles ficar com raiva porque eu estava na cama. Acho que ele queria ter trocado de cama antes de sair. Paciencia. Continuei fingindo que estava dormindo.

E ai....

Quando as luzes apagaram e eu virei de lado vi que um deles era tao grande que os pes ficavam para fora da cama. Era careca e estava de cueca todo "arreganhado". Procurei outra palavra e nao econtrei. Desculpe-me. Mas era assim mesmo que ele estava. E pra piorar o cara parecia que tinha uma moto no nariz.

Eu obviamente nao dormi. Tentei abafar os som colocando o travesseiro em cima da cabeca e de nada adiantou.

Quando acordei hoje bem cedo conversei, aos sussuros, com a mineira e ela me disse que eles (o grupo de brasileiros do quarto) vao embora hoje. Nao fico naquele quarto com aqueles caras nem amarrada. Isso que e meio complicado (por questao culturais) com os albergues europeus. Quase nao ha quartos separados por genero porque eles contam com o bom senso. Tenho que confessar que e a primeira vez que isso acontece desde que comeceia a usar a albergues com quartos mistos nessa viagem.

Nao acho que seja algo corriqueiro pessoas tao sem nocao de educacao (porque parecia que nao eram 4h da manha e muito menos que estavam praticamente pelados). Segundo a paulistana do quarto, um deles so faltou colocar a bunda na cara dela enquanto arrumava a cama.

Ja estou a procura de um novo albergue. O Sir Tobys e bom. Mas eu quero estar mais perto do Centro. No entanto valeu por um brasileiro que faz mestrado em cinema em Barcelona, e que conheci no Sir Tobys. E como o mundo e pequeno ele conhece Juiz de Fora, conhece o Festival Primeiro Plano e temos conhecidos em comum...

Como hoje e Domingo de Pascoa o comercio esta fechado, entao vou aproveitar para ir ao Castelo e no caminho ver algum albergue para me hospedar.

E Thalita... ta quente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Dei sorte, menina! O dia ta lindo. Ceu azul, fresco...

Cheguei onde eu mais queria. Praga! Aqui sim, vou bater perna demais.

11 de abril de 2009

Um jantar a luz de vela e sozinha! Qual e o problema?

Queria ver a cidade ilumidada. E segui de volta ao Centro. Fiquei andando na Vaci utca, parei para ver uns precos e comparar com o que tinha comprado mais cedo. Ah! e. Esqueci de comentar que achei uma outlet da Nike e da Puma otima na Terez Korut, proximo a estacao Oktogon. O nome da loja e Marriot. Uma bolsa da Nike por cerca de 20 euros. E tem de tudo. So nao comprei mais coisa porque nao tinha grana e nem como carregar.

Enfim... e noite chegou, a cidade me inspirou e estava com muita fome. Me dei entao um presente. Um jantar bom, num restaurante legal e tentando esquecer um pouco o preco. Na Vaci ucta mesmo encontrei o Gyorgy-Villa.

E me dei um jantar a luz de vela. Maravilhoso. Sai de la literamente satisfeita com a comida, com a sobremesa e principalmente com o fato de ter rido de mim mesma naquela mesa com a vela. Imaginei duas amigas ali. A Re e a Lais que sempre me repreenderam porque eu ficava " catando" comida barata.

E o melhor, alem da comida e que nao me senti um ET. Tudo bem que eu era a unica comendo sozinha, mas nao reparei ninguem olhando. E se falaram algo, tambem nao entendi. A verdade e que eu estava entretida copiando o nome do prato, tirando foto do prato, foto da sobremesa e acho que talvez isso sim tenha chamado a atencao.

Entao vamos la:

Prato - Marhaporkolt Sosburgonyaval
Sobremesa - Gundel Palacsinta

ps: se algum souber de restaurante hungaro no Rio me avisa que quero comer a sobremesa de novo! Simplesmente maravilhosa.

9 de abril de 2009

Josi, Fabiula, Mariana...

Durante esses meus dias de viagem (completo hoje 13 dias viajando) uma coisa que chama atencao e que ha muitas mulheres viajando sozinhas. Inclusive isso foi assunto no albergue de Roma entre algumas mochileiras que estavam la. No entanto, ainda ha quem se espante com o fato. Aqui mesmo na Hungria, toda hora que alguem novo no albergue sabe que estou sozinha acha tudo " tao fantastico" que eu poderia ate mesmo achar que e algo do outro planeta.

So que nao e. E as "meninas" estao ai para provar isso.

A Josi e de fibra mesmo. Saiu do Brasil e foi para a Nova Zelandia. Na ida, acabou ficando por la mesmo e nisso se passaram 3 anos, ate que ela desembarcou no mesmo dia que eu em Roma. Foi em busca da cidadania e vai ficar por la mesmo. Chegou com grana contada e atras de trabalho. No meio do caminho em Roma pegou uma gripe fortissima e nem por isso ficou sentada na sala comum do albergue. Ja esta trabalhando e tenho certeza de que em pouco tempo ela estara super bem instalada la.

A Fabiula... Mineira de Uberada estava sozinha em Roma se despedindo da Europa, ja que voltaria para o Brasil em poucos dias. A mesma que foi dar de " garota esperta" no trem e nao comprou o ticket ja que " ninguem paga mesmo" e desembolsou 50 euros de multa, mais o valor do ticket de 11 euros. Ela contando a abordagem policial e o teatro dela para fingir que perdeu o ticket e hilario!

Mariana, argentina de Buenos Aires. Veio sozinha para a Europa. Antes de Roma, ja tinha ido para Londres e Paris. E da Italia seguiu para a Alemanha. Sozinha e se hospedando em albergue e gastando o minimo possivel (segundo ela mesma fala, no maximo 30 euros por dia sem contar o albergue)

Jessica, meio americana meio mexicana... desembarcou em Veneza um dia antes de eu ir embora. Sozinha tambem, ainda seguiria para Roma para se hospedar na casa de conhecidos e economizar. Segundo ela mesma: " eu ainda sou estudante, entao pra eu viajar tenho que alternar casa de amigos e albergues".

Enfim... essas sao muitas das inumeras historias de mulheres que viajam sozinha. Nao e coragem mesmo. Mas e uma vontade imensa de nao ficar em casa deitada no sofa. So isso!

E ai, casa quando? Eu ainda em Veneza

O mais interessante em viajar sao as surpresas pelo meio do caminho, sejam os novos amigos ou simplesmente os possiveis novos rumos para a minha vida. E assim foi quando parei para comprar uma encomenda do meu irmao.

Entrei numa loja em Veneza, no meio do burburinho e como estava falando sozinha - pra variar - o dono da loja percebeu que eu era brasileira. Ele que morou anos no Brasil soltou: e ai, menina... casa quando?

Nao entendi nada. E respondi que nao ia casar, que estava viajando. Ele soltou uma gargalhada e me disse que tinha certeza de que seu ficasse na Italia casava rapidinho. Comecei a rir. Entao ele me contou que e apaixonado pelo Rio de Janeiro e que toda brasileira que vem para a Italia casa a hora que quiser. E ficamos nessa conversa, ri demais e ainda ganhei 10 euros de desconto na roupa que comprei.

De la, eu fui novamente ao Gueto porque queria comer uns doces hebraicos e no dia anterior nao estava com fome. E ai, foi que conheci as brasileiras (uma paraibana e a outra capixaba) do restaurante na praca do bairro Judeu. E elas me contavam sobre as maravilhas de casar com italianos. E ficaram tentando me convencer a ir para a Italia " pescar" um italiano. Segundo, elas... tudo muito facil.

Eu devo ter cara de quem quer casar, so pode! Mas foi divertidissimo constatar que era por isso que os homens sao tao gentis quando sabiam que eu era brasileira. E ai, contei pra elas a quantidade de convite para sair que tinha recebido desde Roma (eu recebi mais convite pra sair na Italia em 10 dias do que no Rio em 1 ano, serio mesmo!!!) e elas me disseram que e super normal isso porque as mulheres italianas nao querem casar e nem ter filhos.

Nessa hora eu dei uma risada tao alta que a capixaba sacou na hora e caiu na gargalhada tambem. Eu nao estou nem um pouco a fim de ter filhos...e no final a paraibana ainda nao se conformando me disse que quando eu quisesse casar, era pra ir pra Italia.

Entao ta. Emails anotados (elas nao acreditavam que eu nao tenho orkut, o meio que elas usam para manter contato com o Brasil, ja que no "resto do mundo" todos usam facebook).

Meninas casadouras....venham para a Italia!

2 de abril de 2009

Quando a coragem de 2 brasileiras empolgaram as 3 suicas

Pois e... os bed bugs acabaram me servindo pra alguma coisa. E a perda dos oculos tambem. Afinal, foi assim que conheci bastante gente no albergue. E por causa dos oculos, o brasileiro do escritorio do albergue cavucou ate conseguir uma vaga pra mim para mais uma noite. E olha que tava com overbook. Uma pena que alguem tenha ficado sem vaga la, mas eu procurei em outros lugares e estava tudo caro demais. E pra melhorar... ele so me cobrou 12,90 euros. Muito em conta e feliz da vida, la fui eu para mais um dia inteiro perambulando em Roma. Andei sem me preocupar com fotos, voltei a alguns lugares, como o bairro Judeu que eu adorei, fiquei sentada escrevendo no meu diario numa ponte linda do Rio Tervere e de tarde fui encontrar a Fabiula, brasileira de Uberada - a mesma do calotaco que rendeu 50 euros de multa a ela.

E seguimos para a Via Antica. Gente, o lugar e longe mas vale muita a pena. Entao, Julia - que vai viajar em breve pra ca - reserva uma tarde e vai. Mas se prepara. Depois de descer do onibus e preciso caminhar uns 3 km. E isso tudo na Via Antica - a primeira via pavimentada da historia e que no avanco parou por ai. Nao tem acostamento nem caminho pra pedestre. Nessa, so Deus ajudando mesmo. Mas fui. Vim pra Roma com esse passeio na cabeca por causa do programa Cidades Ocultas da History Channel. Vi o dia em que o apresentador percorre a tumba e fiquei encantada. Ja tava la, meu lado Indiana Jones falou mais alto e nao ia desistir.

O fato do carro quase encostar quando passa e so um mero detalhe. Mesmo porque eu comecei a rir de umas suicas que so toparam ir porque nos ( eu e a Fabiula) iamos a frente. Entao, ver o carro quase encostar e ter o muro como extensao do meu braco foi sobremesa.

Fui na catacumba / Igreja de Sao Sebastiao coincidentemente padroeiro do Rio. O passeio so pode ser guiado - em ingles - e custa 6 Euros. Vale ate mais do que isso. Dinheiro bem aplicado. E proibido tirar foto. Entao tentei com o celular e quase o perdi no subterraneo romano. Depois do susto, guardei e deixei de tentar infringir as normas.

Vou conseguir colocar as fotos daqui a pouco. Estou em Florenca e o albergue e MARAVILHOSO..... e tem internet no quarto!!!!!

Adeus Roma. Vim.Vi. Venci. Orcamento dentro do previsto. Vou fazer as contas hoje e posto para os amigos que acham que e impossivel viajar sem tanta grana.

31 de março de 2009

O "albergue" e meu quarto misto!

(aviso que tudo estara sem acento porque o teclado e diferente)
Nao perdi minha reserva no albergue ( e isso me economizou gastar dinheiro com novas reservas e a correr como louca quase as 22h atras de uma estada). No entanto, fui "cair" num dormitorio fora do albergue, embora no mesmo predio. Eramos 10 pessoas, sendo NOVE homens. Nao dava pra eu reclamar, afinal para os europeus quarto misto e coisa normalissima. La fui eu. Ja era tarde e ninguem nem olhou pra minha cara. So conversei mesmo com um australiano com cara de indiano que viaja ha um ano fazendo tatuagens mundo a fora. E fiquei ouvindo as historias dele, uma hora em ingles e quando nao entendia, em espanhol (porque ele morou 3 anos na America do Sul).

O quarto nao tinha chave no banheiro e o staff do albergue muito gente boa me deixou usar outro banheiro e prometeram me transferir de quarto, mesmo que no dia seguinte ja fossem outras 3 mulheres.
Ai....

Coca daqui. Coca dali. Luz apagada porque sou educada e nao acendi nada. Mas nao consegui dormir de jeito algum. No dia seguinte...o resultado. Eu tava toda picada. "Bed bugs". So rindo mesmo. Educadamente expliquei o que aconteceu e mostrei (meu braco ta horrivel e meu pe pior ainda) Me trocaram de quarto. Um otimo, limpo, so com mulheres e no proprio albergue.

Virei a sensacao do povo, porque a essa altura do campeonato, independente do idioma... noticia corre. Mas tudo acabou em piada.