Uma coisa que aprendi na última "bateção de perna"...é que mesmo sendo um peso extra, levar o notebook para uma viagem não só é uma forma de não precisar esperar para usar os computadores gratuitos dos hostels como, principalmente, não trazer na bagagem o pendrive repleto de vírus!!!
Depois de um estresse por causa do pendrive que foi "contaminado" enquanto tirava as fotos da câmera, finalmente baixei as fotos no picasa. E foi quando me dei conta de que tirei poucas fotos em Buenos Aires e em Santiago. Não que as cidades não mereçam fotos (ao contrário) mas ambas são cidades para serem vividas, e foi o que eu fiz. Me senti tão em casa lá que tirei poucas fotos. A foto do post é a Plaza de Aviación em Santiago. Tirei muitas fotos de ruas, de praças, de comida....
Em tempo: Como se já não bastasse juntar para viajar ao Atacama e à Turquia/Egito/Grécia, entra para a lista de objetivos um netbook porque menor e mais leve....daqui a pouco não como mais!
Foi muito interessante estar no Chile no domingo de eleição presidencial. Frei ou Piñera? As diferenças em relação ao Brasil são muito claras. Não se trata de melhor ou pior, mas diferente. Desde sexta havia "carabineiros" (a polícia chilena) nas ruas para evitar tumultos. Não vi - ao menos pelas áreas por onde passei - ninguém distribuindo "santinhos" ou afins. O que sem dúvida propicia as ruas ficarem totalmente limpas. Absolutamente nada! O que se via era apenas os outdoors e, claro, bandeiras
Depois de anunciada a vitória de Piñera, saí para dar uma volta pelas ruas de Santiago e ver como era o clima. Começou timidamente um buzinaço. No cruzamento das avenidas Vicuña Mackenna e Providência começava a chegar pessoas de várias partes de Santiago para a comemoração que se estendeu pela noite na região do La Moneda - e aí sim virou uma grande carreata. Mas ainda assim, achei a festa tímida se comparada ao Brasil.
Mas foi ótimo ver o otimismo das pessoas - embora eu achei Santiago a capital Primeiro Mundo da América do Sul, as pessoas estampavam em suas camisas e bandeiras o sentimento de mudanças. Enfim, eles que sabem o que é melhor.
O que chamou atenção mesmo foi o fato de não haver nada aberto! Quando digo nada, é nada mesmo. A cidade cheia de turistas e nada, em pleno domingo. Claro que azar o meu por ter viajado em tal época, mas não deixa de ser falta de tino comercial e turístico. De noite, andei andei e andei atrás de um lugar para comer. A negativa continuava - nada. Com exceção de um lugar com sanduíches, mas eu não conseguia mais comer pão, já que tinha sido a única coisa que eu tinha conseguido comprar em todo o dia!
Para os que se aventuraram pelas lindas praias de Viña del Mar, a negativa continuava. Alguns brasileiros do hostel achando que seria como no Brasil, seguiram para a cidade litorânea e nada também.
Sei lá como são as festas caseiras chilenas. O que sei é que chamaram para ir a uma festa e aprender a dançar salsa. Amei a ídéia. Mas...Saí de lá irritadíssima - queriam que eu dançasse samba. Olha bem pra minha cara!! Fizeram uma reunião a base de pisco (a bebida mais popular do Chile) com pouquíssimas pessoas - só a esposa de um dos convidados, eu e a Daniele (uma das gaúchas do quarto).
Acho que na verdade caí no "conto do vigário" e eles estavam mais interessados em mulheres. Enfim, em menos de 1 hora me livrei da "tal festa" e por 1000 pesos de táxi estava no hostel.
Fica a advertência...aqui no Chile como em vários outros lugares, as mulheres do Brasil são vista a base de estereótipos. E um deles é o bendito samba e o outro...será que preciso mesmo falar?
Há um outro lado da cidade que ainda nao conhecia. E como a idéia é conhecer de ponta a ponta o mapa que recebi, achei que seria uma boa oportunidade aproveitar as ótimas ciclovias de Santiago. Um dia lindo. Agradável. Temperatura por volta de 28 a 32 graus.
Aluguei uma bicicleta numa das agências que promovem passeios. Um passeio em grupo custa em média 15 mil pesos ( R$ 60). Achei caro e nao queria ir num grupo. Meu egoísmo aflora nessas horas em que quero fazer o que eu quiser e nao seguir grupos. Mesmo porque, os grupos costumam andar pelos pontos turisticos e esses eu ja tinha feito a pé.
Entao, paguei 5 mil pesos (R$ 20) e fiquei por 4 horas conhecendo outra parte de Santiago. Para me sentir mais segura segui por avenidas com ciclovias. Ótimas. Avenida Cristobal Colon, Procuro, Bilbao... Confesso que nao consegui usar o "casco", ou seja, o capacete de seguranca. Apertado.
É tudo tao organizado e bonito. As áreas nobres muitas vezes tao arborizadas e limpas fazem Ipanema (sem a praia) parecer um bairro qualquer.
Com o pessoal que conheci no hostel, animei de ir conhecer a "night" de Santiago. Fomos dois dias seguindos a uma boate local - Mito Urbano. O melhor dela é que é de graça para hóspedes do hostel.
Boate em qualquer lugar é igual. Nada de diferenças gritantes - as mesmas músicas, o mesmo pouco espaço para dançar, a mesma "pegaçao"...O que chama atençao mesmo é quando toca as baladinhas em espanhol e todos gritam e cantam juntos...E os brasileiros se entreolhavam (dava pra saber quem era brasileiro nessa hora) sem entender nada porque nunca tinham ouvido tais músicas.
Para os que bebem, fica a informaçao: muito caro. Muito mais caro do que no Brasil (convertendo ou nao, já que os próprios chilenos reclama dos preços das bebidas em boates). Uma cerveja comum pode custar até R$ 9.
Curiosidade: ouvi de um chileno que para dançar devem convidar uma mulher e dançar ao lado dela. Nao dançam sozinhos. "Só os gays dançam sozinhos". Será? Nao me convenceu nao!
Santiago me dá a impressao de ser uma cidade verde. Totalmente verde. E eles ainda querem mais. Há campanhas de divulgacao na cidade para que mais delas sejam plantadas. E foi exatamente esse o ponto que mais me chama atençao aqui. Sao muitos. E ao contrário de muitos que conheço no Brasil, sao frequentados constamentente. Sao lindos, limpos....Enfim, estou verdadeiramente "embasbacada". Um parque sucede outro e outro e (...) É possível caminhar de um bairro a outro cruzando parques.
Caminhar por Santiago é quase uma obrigaçao para quem está a passeio na cidade. E confesso: caminhei tanto na ida sem me dar conta da volta, que precisei voltar de metrô! Resolvi que ia conhecer uma outra Santiago indo desde a Providência ao bairro Quinta Normal, que é o outro extremo da cidade. Ou seja, ia cruzar mais da metade de Santiago a pé, seguindo o máximo por "linhas retas".
As ruas sao um convite a parte, além dos dias lindos e de calor que fazem em janeiro. Caminhando cruzando por parques lindos, como a Plaza del Aviacion, despois da Plaza Itália e o Parque Forestar cheguei ao Cerro Santa Lucia. Uma caminhada que vale muito a pena e que demora muito pouco - cerca de 30 minutos para chegar e outros 20 minutos para subir.
Vista do Cerro Santa Lucia - centro de Santiago
Dessa vez resolvi subir ao cume do Santa Lucia. Nada mal para quem estava apenas começando o dia. A vista de Santiago é realmente bonita, mas nao pode ser uma substituiçao da vista do Cerro San Cristoban, bem mais alto. A entrada é gratuita e o máximo que se pode gastar é na moeda de 100 pesos (uns R$0.70) para o observatório. Há lá em cima, claro, espaços ótimos para descanso e acabei me dando o direito de deitar e ler um pouco num banco em baixo de uma árvore - bem pouco mesmo já que cochilei e acordei com a barulhada de uns brasileiros que tinham acabado de chegar.
De lá, segui para a área Central da cidade e fui novamente ao La Moneda. Fechado. Explico: de acordo com um dos seguranças por causa de vandalismo de alguns nas visitas (como sujar paredes, riscá-las) está temporariamente suspenso as visitas). Como estava fechado e estava começando a ter fome, fui novamente ao Mercado Central para experimentar outra comida típica do chile. Como o Ceviche, mas dessa vez 1/2 porçao (2.500 pesos - uns R$ 10). Sinceramente, nao gostei muito embora todos indiquem.
Na continuaçao da empreitada do dia, acabei olhando para o alfajor e nao resisti. Que seja a sobremesa argentina no Chile.
E aí começam minhas andanças atrás da outra Santiago. Da menos turística, da menos limpa, dá menos organizada e nem por isso, menos linda. Poucos minutos depois do La Moneda, seguindo pela Avenida Libertador Bernardo O´Higgins já se começa a perceber as transformaçoes. As avenidas e ruas, embora ainda muito largas, dao lugar a camelôs, a sujeiras nas ruas (nada que seja patológico), comércio mais simples, lojas mais baratas e mais barulho. Como é uma área menos frequentada por turistas, é possível perceber a verdadeira cara chilena.
O comércio popular de Santiago - longe da área turistica
Uma feirinha local de artesanato - Av. Libertador Bernardo O´Higgins
Estaçao Central - longe da
E caminhei. Caminhei. Caminhei até a Universidade de Santiago do Chile, que fica na Estaçao Central do metrô. Nao havia mais pra onde ir. Ou seguiria para dentro de muitos bairros e o mapa que eu tenho termina nesse ponto. Ótimo entao. Hora de voltar. Voltei margenando por outras ruas e segui para outra regiao da cidade, que em pouco minutos me levava para o Parque Quinta Normal.
Familias a vontade numa tarde ensolarada. O parque parece ter mais vida que o Central - menos turistas
Um belo parque nas proximidades do bairro Brasil. A essa "altura do campeonato" eu realmente já estava bastante cansada e para resguardar meu maior patrimônio, voltei de metrô, já que a Quinta Normal é estaçao terminal da linha verde de metrô. Já era tarde quando voltei, embora com dia claro (no verao, às 21h e ainda há sol!)
A trilha sonora do dia foi Lucy in the Sky with Diamond, que ouvi na rádio local. Custo do dia? 400 pesos para o metrô de volta.
Na minha caminhada pelo Centro de Santiago pela manha, deixei o Mercado Central por último porque já estaria com fome e experimentaria as iguarias locais. A mesma chilena (Ignácia) que me levou ao restaurante de tapas e ao Pátio Bella Vista me indicou alguns pratos para comer quanto estivesse no Mercado Central.
A dica dela valeu a pena. O Mercado Central embora bem pequeno se concentra principalmente em frutas, verduras, legumes e peixes. É peixaria que nao acaba mais, o que dá ao lugar um cheio peculiar. Mas nada que atrapalhe o passeio.
Assim que entrar, independente por qual das entradas principais, vários garcons (parece que brotam do nada) ao tentar convencer de que o restaurante deles é o melhor e mais barato e blá blá blá. Nada disso. Por dica da Ignácia, eu continuei caminhando só respondendo: No tengo hambre! A recomendacao dela foi de que os restaurante menores que se aglomeram nas lateriais e ao fundo sao menores, mais baratos e com a mesma qualidade.
Acabei parando no Tio Lucho. O garcom super simpático me explicou os pratos e quanto soube que eu era brasileira fez questao de me mostrar uma revista da Gol que indica o restaurante dele. Comi a tal mariscada especial e ainda volto lá até ir embora para comer o salmao, que foi indicacao da tal revista.
Como em todos os lugares, há pao e aqui em vez de manteiga há um molho a base de tomate com pimenta como antepasto
Outros experimentos que valem a pena para conhecer um pouco do cotidiano chileno é experimentar as frutas. Como algumas delas só temos no Rio em conserva, comprei um pouco de algumas para a sobremesa. Num saquinho com poucas unidades de cada gastei 1000 pesos, menos de R$ 5
Figo - a vendedora explicou que eles sao pequenos e mais doces porque sao os primeiros a serem colhidos
Damascos - que que nunca tinha comido sem ser os secos de supermecados
Cerejas - bem mais doces do que as que comi em outra viagem
Quando estou viajando tento parecer ser do local. " Imbecilidade" a parte, minha tentativa se concentra nao só em caminhar pela cidade o máximo possível e em comer o que os "nativos" comem como também em ouvir as músicas que fazem sucesso local.
E estou numa paixonite pela Shakira (que toca toda hora) e por uma música bem " baladinha" chamada "Esclavos de Tus Bejos", de David Bistal. Desde que saí do Rio de Janeiro nao ouvi nenhuma vez as minhas músicas do mp3 (so no aviao). E aqui em Santiago a Radio Disney é a que mais sintonizo. Na verdade, deixo ligada o dia todo. O problema e que tento cantar e pareco uma maluca cantando sozinha e "errado" .
(esse teclado nao tem acento algum, ok?)
Como opto sempre pela caminhada, sai cedo do hostel e fui ao centro de Santiago. Uns 40 minutos de caminhada. O melhor de fazer tudo a pe (ou quase tudo) e conhecer a cidade sem somente passar por ela.
Pelo caminho, ainda bem cedo (por volta das 8h45) conheci a conceituada Universidade Catolica do Chile. Imponente e "dona" de uma estacao de metro. Ate chegar ao La Moneda e com as lojas abrindo as portas, esqueci a proposta inicial de ser uma das primeiras a chegar no La Moneda e comecei a fazer uma peregrinacao por livrarias.
E como isso me diverte. As livrarias sao caras. Muito. Conversando com um vendedor ele me explicou que ha um imposto caro para os livros importados. E todos aqui veem da Espanha. Ou seja, se quiser mesmo comprar livros melhor comprar no Brasil. A menos que os queira em espanhol, como foi meu caso. Nao sei como vou carregar-los na volta, mas ai e um problema para outro dia. As livrarias que visitei estavam na regiao da area do Igreja de Sao Francisco de Assis ate a Plaza das Armas.
Quem for se aventurar a conhece o Centro de Santiago pode preparar um tour para o mesmo dia, comecando pela Igreja de Sao Francisco de Assis, seguindo para o La Moneda, para a Plaza de Armas, para a Catedral e terminar (morrendo de fome) no Mercado Central. Foi exatamente o que fiz hoje - das 8h45 as 16h30 quando cheguei no hostel. E a volta fiz a pe tambem. Mas por outro caminho, outras ruas. E mudei ate o lado da avenida.
Fica a dica: ao andar por Santiago a melhor maneira de nao demorar muito a achar os lugares: guie-se pelos dois "calcadoes" - Passeo Ahumada e Passeo Huerfanos.
Um dia maravilhoso numa manha perfeita. Custo? ZERO!
Cheguei a Valparaíso no final da tarde. Para ir até lá, fui na contramao dos guias, que indicam o ônibus. Eu vi que era possível ir de metrô - que no trecho Vina del Mar e Valparaiso é de superfície e eu teria como vista o mar, que tanto encantava o Neruda. Total do percurso: uns 20 minutos
Paguei um pouco mais caro mas valeu a pena. Pelo metrô 1500 pesos (porque o metrô so funciona com cartao e eu nao tinha. O preco do ticket na verdade é 500 pesos. E mais 280 pesos pelo funicular.
A cidade é muito alta. Mesmo indo de funicular (ascensor Espirito Santo) para a parte alta, ainda assim demorei uns 30 minutos subindo até a La Sebastiana, a casa que Neruda tinha em Valparaiso. A minha maior vontade ao conhecer a casa foi mudar pra lá. A temática é o mesma de La Chascona...o mar - pano de fundo da construcao. A vista da sala, do quarto e do escritório dele é a praia de Valparaíso. E as janelas formavam juntas um grande janelao que tem como vista a parte litorânea da cidade.
O mais próximo que pude fotografar do que é a vista da casa dele.0
Nao é permitido fotos no interior da casa
Sao cinco andares de construcao, o que nao significa que seja um casa muito grande. Na verdade, ela é meio escondida. Diz o audioguia (que há em português) que o Neruda fez de propósito porque se divertia com o fato de nao acharam a casa com facilidade.
No íngrime percurso para a La Sebastiana, um praca indica que se está no caminho certo. Há três "Nerudas" em diferentes posicoes para os turistas, que como eu ficam la abrancando o poeta e tirando fotos.
Quem se beneficia com o cansaco em subir tanto (mesmo depois de usar o funicular) sao os donos de bares que chegam a cobrar mais de 400 pesos por uma garrafinha de agua. E nessa hora, vi que estavam todos fixados na televisao que nem perceberam que eu entrei. Fui ver o que era: novela brasileira. Estavam assistindo a um capítulo de A Favorita (aquela que tinha a Flora - Patrícia Pillar). Eles nem piscavam até acabar o capítulo. Cheguei numa péssima hora. Entao, fica a dica: se for a Valparaíso nao se iluda com o Funicular porque ele só vai até certo ponto. E prepara-se para subir. Por isso, ja leve água.
A La Sebastiana tem a mesma administracao de La Chascona. Com isso, os precos dos souvernirs nao mudam em nada. E para entrar na casa, que nao tem guia mas sim audioguias em vários idiomas é 3000 pesos (uns 12 reais). Na entrada da "casa museu" há uma advertência: deixar as bolsas e mochilas num locker logo após a bilheteria. Fui lá já que manda a educacao seguir as normas. Que nada! Primeiro porque nao entendi como usar o locker. Segundo porque tinha que pagar. E terceiro e fator decisivo: ninguém tava usando. Fiquei com receio de deixar minhas coisas ali e fui com mochila mesmo.
Para retornar a Santiago, há uma estacao terminal de ônibus também. Quem a essa hora já estiver muito cansado é só pegar um ônibus, já que a caminhada leva cerca de uns 25 minutos. O bom é que assim se conhece mais um pouco de Valparaíso! Total do percurso de volta a Santiago - cerca de 1h30
Em tempo: A preocupacao com mochila procede e provavelmente tem a ver com o fato de um turista ter roubado uma das bonecas russas da casa La Chascona.
Estava simplesmente fascinada para chegar a Vina del Mar e sentir o mar do Pacífico. Qual nao foi a "surpresa". No funicular do Cerro Cristoban, duas brasileira ja tinham me falado que meu conceito de praia mudaria.
Entao, cheguei preparada. E comprovei. Nada de usar o biquini ou a saída de praia nova comprada para o Pacífico.
Mas aí vem a decepcao. A areia é muito escura e a água nao é para banho. E quem quiser se aventurar a ficar na areia olhando a bela paisagem tem que levar a própria cadeira ou canga ou toalhas porque nao há nada para alugar. Mas há opcoes ótimas. A bela praia de Ranana (leia-se ranhana porque nao tem til para eu colocar sobre o n).
Em Ranana sim, parece que estamos numa praia. E há cadeiras para alugar, embora bem caras - cerca de 2 mil pesos, algo como quase R$ 10. Mas aí nao há uma decepcao, mas uma realidade: a água é fria de doer os ossos. Venta demais e por isso mesmo com um sol lindo de uma dia de verao a vontade que se tem é de se agasalhar. Enquanto estive parada lendo e aproveitando o "frescor" da manha nao vi quase ninguém na água. Entrei só para molhar os pés e tirar uma foto. Nao me atrevi sequer a tirar outra!
Para ir de Santiago a Vina del Mar sem precisar pagar os absurdos pesos/dólares das excursoes a dica é ir por conta própria. Pegar o metrô Linha 1 (400 pesos), e descer em Pajarrito. Há várias linhas de ônibus nessa estacao que levam a Vina del Mar e a Valparaiso. Custo de ida e volta pela Trans Bus compradas juntas - 5300 pesos. Uma excursao de agência de turismo pode chegar a 4 vezes esse valor. Do terminal de ônibus de Vina del Mar às praias centrais caminha-se por uns 20 minutos.
Para quem nao sabem muito bem a hora que vai querer voltar (se for fazer bate e volta) nao há problema. A passagem pode estar com horário em aberto (e foi o que eu fiz). Quem decidir ficar, vou indicar o hostel que um mexicano ficou assim que ele me disser se valeu a pena ou nao.
Ao caminhar por Vina del Mar tive a impressao de estar numas das muitas cidades litorâneas do Rio de Janeiro. Na verdade, me lembrou muito Rio das Ostras. Pequenas pracas, cidade cheia, muito comercio e pequenos prédios tipicamente para veraneio. E casas lindíssimas! Vale o passeio maravilhoso e que custa pouco mais de R$ 20. E isso com Valparaíso incluso. Mas aí é outro post.
Talvez como engenheiro, Neruda merece ser mesmo o espetacular poeta prêmio Nobel. Fui visitar a Chascona, a casa que ele dividia com sua mulher Matilda, em Santiago. Uma amiga já tinha me falado que nao tinha gostado muito do lado construtor do Neruda. Mas eu gostei, justamente porque nao tem muito "pé nem cabeca". Imaginem uma casa que na verdade sao três...depois coloque nela objetos confusos, arrume os comodos como se fossem um labirinto e nao dê a eles espacos harmonizandos. E sim, coloque passagens secretas como forma de diversao. No entanto, coloque a sala de jantar uma grande janela com a imagem de um pequeno córrego passando para dar a sensacao de estar num barco. Assim é a La Chascona!
Para visitar a casa, é bom programar no mesmo dia da ida a Cerro Cristoban, já que é bem perto. Quanto mais cedo chegar melhor porque as visitas sao guiadas e com hora marcada. Os precos variam de acordo com o idioma. Em espanhol é mais barato. Preco da entrada inteira, 2.500 pesos.
Gostei muito da casa, principalmente porque ele a projetou para parecer um barco.Há momentos que o piso range tanto que parece que vai quebrar. Segundo o guia, isso é proposital para parecer uma "cópia" fiel de um balanco de barco. Nao pude tirar fotos da casa porque sao proibidas. Valeu a visita!
Há fotos de como a casa ficou depois que perseguiram o Neruda por suas conviccoes políticas (as fotos sao de seu caixao sendo retirado da casa).
Em tempo:
- Se quiser comprar livros do Neruda em espanhol, talvez seja melhor procurar uma livraria. Os livros na loja de souvernirs estavam um pouco caros. No entanto, nada supera a criatividade das camisas com trechos da obra.
- La Chascona era o apelido que Neruda deu à mulher, Matilda, e significa a "descabelada".
Uma batedora de perna nao pode vir a Santiago sem " colocar os bofes pra fora" na subida a Cerro Cristoban. Pois mesmo com os avisos de que era muito longa a caminhada morro a cima, lá fui eu! Sinceramente, a vista compensa as quase (ou mais, nem sei) duas horas de caminhada desde meu hostel até o cume. Subi caminhando devagar porque conversava com o costariquenho que me acompanhou na empreitada.E dá-lhe morro acima.
Parei na piscina pública que há depois de mais da metade do caminho.
Descansei e vi que tem uma área específica para piqueniques. Como tenho mais tempo em Santiago do que tive em Buenos Aires, talvez anime de voltar lá. A vista é linda e fico imaginando como de ser no inverno com a neve na cordilheira. Nao consegui ver nada naquela pelo "observartório". Mas a verdade é que Santiago é tao especial que chega a ser uma afronta usar subterfugios para ver aquela paisagem.
Para descer, claro...Funicular. 900 pesos (uns R$3). Depois de tanta caminhada, me dei o direito de deitar e descansar no gramado da Plaza Italia. Gostei tanto da praca que no comeco da noite (o que nao significa estar escuro) voltei lá para ler um pouco. Acabei cochilando enquanto lia.
Quem nao conhece Santiago pode ter um esteriotipo de cidade da América Latina (confusa, suja, muito barulhenta e com tráfego dantescos).Pois nada disso há em Santiago. As ruas sao largas, as avenidas enormes e um sistema de semáforos muito eficiente.
Ouvir as rádio de Santiago é uma boa maneira de se acostumar com o espanhol chileno. No primeiro dia achei que eles nao falassem o mesmo espanho que aprendi. Mas aos poucos, vai se acostumando.
A sorte me acompanha -mesmo que possa parecer o oposto! Conheci albergue no dia que cheguei um mexicano chamado Hector e, como falamos pelo cotovelos, saimos para tomar um pisco (a bebida títpica do Chile) que foi o "boas vindas" do hostel.
Como o Hector conhece uma chilena de Santiago, me convidou ontem para sair com eles e o noivo e amigo franceses. Lá fui eu na garantia que falariam em espanhol. E nao me arrependi mesmo sentindo um frio de lascar!
Fomos ao De la Ostia, um bar de tapas espanholas, na rua Corrego Luco. Muito bom! Como as tapas vem em pequenas quantidades experimentamos vários pratos.
Tortillas com ovos e champingon
Camaroes com alhos
Pao com tomate
Almondegas
Pan con chorizos (linguica fininha e bem gostosa)
Eles ainda beberam duas sangrias (e disseram que é fantástica) e a conta ficou para cada um menos de 35 reais, convertendo.
De lá, para nos mostrar a cidade fomos ao Pátio de Bella Vista. É como uma Cobal do Humaitá, só que elegante. Há vários tipo de bares e restaurantes. Escolhemos um que tem milongas ( o tango argentino).
O bom de contar um pouco das experiencias de viagens é poder estimular outros a fazê-las - ou seja, deixar o medo de lado, juntar uma grana e se aventurar. Uma amiga (Lúcia Schimidt) já se empolgou de ir a Buenos Aires. Outro amigo (Nelson Toledo) idem. Tomara que muitos mais sigam o mesmo. Entao, deixo algumas impressoes da linda Santiago:
1 - Para as românticas, nada como sentar na Plaza Itália. Meninas, parece que a Santiago é a capital dos namorados. Como sao muitos os casais nos gramados lindos, limpos e cuidados embaixo de árvores que dao a Santiago um ar de cidade urbana e ao mesmo tempo bucólica. O problema de estar "sola" é ficar lá pensando em como "falta" homem no Brasil! Mas valeu a pena. Enquanto eu pensava na quantidade de namorados, um médico costariquenho que conheci no hostel e que fiz uns passeios hoje falava
2 - É possível comer bem e barato. O mais interessante é perceber que eles se alimentam muito de sanduiches. Mas nao sanduiches comuns como estamos acostumados, mas bem "pousudos".
Conseguindo colocar fotos. Comi um numa sanduicheria na esquina da Chascona (casa do Neruda) e gastei menos de 7 doláres.
Um sanduiche de churrasco italiano tem abacate amassado, queijo, tomate, carne.
Churrasco solo
Sopa do dia (cenoura, carne, repolho, frango...)
3 - Nao achei que Santiago seja uma cidade cara como aparece em alguns guias - e nao é porque tenho dinheiro (!!!), mas sim porque os precos nao sao muito diferentes do Brasil quando convertemos. Comparado a Buenos Aires sem dúvida é mais caro, mas no máximo temos aqui um câmbio quase pareado.
4 - O metro de Santiago cobre toda a cidade. Nao é preciso sequer pegar táxi do aeroporto (a menos que queria pagar mais). Pega-se um ônibus na saída do aeroporto até a estacao de metro mais próxima da hotel/hostel. Lá compra-se um bilhete e em poucos minutos se está no centro de Santiago. Custo total: menos de R$ 10 (R$7,50 (onibus) + R$ 2 (metro). Sabe quanto o taxista do aeroporto cobra? U$ 24!!! E convence as pessoas dizendo que o percurso de onibus e metro demora 2h30 - uma grande e deslavada mentira!
Em tempo: Nada a ver com viagem, mas pensei: que falta faz ao Rio de Janeiro nao ser mais a capital do Brasil. Assim, talvez fosse mais parecida com Buenos Aires ou Santiago.
(outro teclado, outro suplicio, ok?)
Cheguei ao Chile. Ver os Andes pela janela do aviao se tornou uma das vistas mais bonitas que ja vi. Mas como nao da para fazer algo sem que outra coisa "anormal" aconteca. Vamos la!
Juro que dessa vez meu gorila foi por um bem maior. Estava no aviao sentadinha na minha poltrona rezando para que nao chegasse ninguem e eu pudesse dormir deitada nas 3 poltronas da minha fileira. Bem, chegou um cara. Brasileiro. Carioca.Falamos do Rio ja que cariocas quando se encontram so falam do Rio. Falamos pouco ate que...papo vai, papo vem ele me perguntou sobre viagens. Pronto...estavamos conversando ate que ele disse: " Mas ue, voce vai viajar pro Chile e esta indo para o Rio de Janeiro por que?" . Jesus. Deus do Ceu. Virgem Maria! E todos os santos do mundo. Pegar o aviao errado se torna uma catastrofe - pior que tsunami - quando se esta voltando para casa de umas ferias que nem comecaram direito.
Levantei correndo como desesperada mesmo (e estava assim!!!) atras da comissaria. O voo ja estava para decolar. Todos pronto. Eu tentando falar e ela dizendo para eu falar depois. - e eu estava de meias no meio do corredor do aviao com as pessoas olhando. Mas ela me disse: " quem falou que esse voo vai para o Rio?"
Minha tendencia a pagar mico tem limites - voo errado nao! Como ja estava tudo pronto para decolar, pararam tudo. Desce o carioca mais perdido do mundo, que gracas ao meu gorila nao veio para o Chile (sinceramente, acho que teria sido melhor pra ele). E o voo precisava de uma nova autorizacao. Nisso, uma passageira p. da vida porque atrasou ficou me olhando. Paciencia!
Minha fileira estava vazia novamente. Deitei com meu travesseiro " presente de uma amiga". Me senti na primeira classe e...Chile, cheguei! Quanto ao conterraneo, nao faco nem ideia do que aconteceu e quando conseguiu um voo para voltar para o Rio!
Alguns acham que precaução é pensamento negativo...Cada um com seu cada qual a parte, fiz meu seguro de viagem. Com ele, fecho o meu planejamento. E ainda assim, muito em conta. Considerando que não vou ficar correndo de um canto para o outro com aquelas excursões malucas e que programo o que quiser para os meus dias, passar 12 dias entre Argentina e Chile por conta própria não é nada caro por R$ 1.396!
E pra finalizar, é sempre bom checar o programa de milhagem da cia aérea - antes do embarque, SEMPRE! É bom lembrar que as milhas só são creditadas se o cadastro ocorrer antes do embarque. Para quem vai viajar pela Argentina Aerolineas, fica a dica. Lembrando que eles chamam na página em português de "programa de passageiros frequentes".
Como para um "bolso quase vazio" viajar é preciso um certo planejamento e tempo hábil, já estou com as passagens para uma próxima "bateção de perna". Depois do tour da Lúcia Schmidt ao Chile, minha vontade de conhecer as praias do pacífico e a Santiago do Neruda ficou maior. Serão somente alguns dias para desanuviar, ver pessoas e ruas novas, conhecer outros albergues e comer! E ainda dou um "pulo" nos hermanos argentinos.
Usar as milhas não foi possível e por isso demorei a voltar a postar já que estava a espera de uma promoção. Só que janeiro, alta temporada...quase impossível! Se no momento dá para usar 6 mil milhas para viagens à América Latina, em janeiro serão 10 mil milhas por trecho!!!!!!!!!
Na verdade, considerei quase um presente quando o agente me mandou uma mensagem via msn com a notícia: "Mônica, encontrei essa passagem. Olha!"
Rio/Buenos Aires - Buenos Aires/Santiago - Santiago/Rio = cerca de R$1.100 (e ainda dividido!!!!!!!!!!!!!!)
Lógico que comprei. E fica assim: próxima parada Buenos Aires alguns dias. Visito a Mariana, viajante que conheci na Itália, compro uns livros do Borges "na fonte", como alfajores, bailo um tango e me divirto - porque é o que eu sei fazer!
Em seguida, Chile, ou melhor dizendo: Santiago e uns passeios por Vina del Mar e Valparaíso. Pensei em seguir para o Deserto do Atacama porque uma amiga também jornalista esteve por lá ano passado e adorou. Mas vai ficar para uma próxima.
Começam agora as googladas em albergues, listas de discussões, palpites de amigos...E para mostrar minha sintonia, deixei a resistência de lado e fiz um facebook. Não tenho muita paciência para sites de relacionamentos, mas é uma ótima maneira de "coletar dados".
Pra registrar que é possível viajar, começando as somas.
Custo inicial: R$ 1.100